Em novembro de 2011, pintou mais uma estrelinha no céu. Era o Davi, nosso porquinho-da-Índia que partiu para dormir nos sapatos do Cara Lá De Cima, como fazia com as minhas pantufas. Fiquei triste por perdê-lo e aliviada por saber que meu filhote descansou. Decidi ficar um tempo sem bichinhos, até que superasse a ida do filhote.
Tempos, depois comecei a observar novamente os porquinhos nas lojas de animais. E percebi que o mercado de “Guinea Pig” está valorizado. Davi foi comprado a dez pilas na província de Esteio. Hoje, um exemplar fofinho é encontrado a dezoito pilas na Júlio de Castilhos. Pois ainda é muito barato, perto do que eles nos trazem.
Fui comer tapiocas com meus amigos GG e Paola, também criadores de porquinho, quando passamos em frente à loja e entramos para ver os filhotes. Eu pensava em comprar um mais adiante, lá por fevereiro, pois minha vó poderia viajar e eu, deportada, teria de sair com gaiola e tudo (detesto ficar sozinha em casa, já falei?).
Então, meus amigos se dispuseram a ficar com o filhote se eu precisasse me ausentar. Dito isso, não havia mais empecilhos para voltar para casa com um novo amigo. Já tinha escolhido o nome “André” para o novo porquinho. Achei uns muito fofos, todos caramelo com partes brancas, mas eram fêmeas (naaaaada contra as fêmeas, mas eu tinha o nome de André e nossa cultura heteronormativa diz que... Tá, chega disso). Tinha um terceiro porquinho caramelo, machinho, mas muito arisco.
Já estava pensando em ir a outra loja quando vi um pequenino lá no cantinho. Era três pelos, assim como o Davi, preto, branco e caramelo. Peguei o filhote na mão e ele era de uma calma impressionante. Assim como o peguei, ele ficou. Mesmo virado de patinha pra cima - posição que normalmente os faz espernear como porquinhos - ele se mantinha imóvel, manso e tranquilo. E sabe que mais? Tinha uma carinha de André...
Não tive dúvidas. Fui até o vendedor e ele tratou de acomodar a bolinha de pelos em uma caixinha. E lá veio o André no meu colo, no banco de trás novinho do carro do seu dindo GG, que ele fez questão de batisar. Faz algumas semanas que o André está vivendo conosco e já está muito bem adaptado. Sobe por todos os andares da gaiola, come verduras e brinca de correr em cima da cama. Só não o soltei no chão ainda, mas logo ele vai poder correr pelo quarto. Só preciso acabar com essa minha ingenuidade de achar que eu escolhi meu filhote. São sempre - sempre - eles que nos escolhem.
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| André na minha mão! |

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